As vacas malditas da Universidade de Coimbra

 

“As vacas malditas da Universidade de Coimbra”

 

Partido Democrático Republicano (PDR) vem manifestar publicamente a sua profunda preocupação com a anunciada decisão do reitor da Universidade de Coimbra de proibir a carne de vaca no menu das cantinas daquela universidade.

A decisão de impedir os estudantes de comer carne bovina, proibindo-os, portanto, que escolherem o que querem comer, releva de uma visão preconceituosa e obscurantista que cavalga oportunisticamente a onda mediática em voga.

As proibições são sempre o primeiro recurso dos aprendizes de ditadores ou então de quem não é capaz de discernir para além dos sound bites de ocasião.

Infelizmente, a demagogia e o populismo não são defeitos exclusivos dos partidos políticos que têm dominado a vida pública portuguesa.

Convém sublinhar que só a através de um raciocínio tortuoso e redutor é que se pode responsabilizar, ainda que parcialmente, o consumo da carne bovina pelos problemas ambientais e climáticos do planeta. 

E se algum nexo de causalidade existir entre um e outros, então a solução para os problemas terá de ser encontrada nos elos (muito) anteriores dessa cadeia causal, como aliás, o demonstram as decisões mais lúcidas do legislador em outros domínios.

Com efeito, há muito que os legisladores dos países mais desenvolvidos, incluindo o português, abdicaram de atuar sobre o consumo e os consumidores de droga, por exemplo, para resolverem os problemas da toxicodependência.

Por outro lado, há países em que o consumo de carne bovina está, praticamente, excluído, sem que alguém possa vislumbrar quais as vantagens climáticas ou ambientais daí decorrentes.

O PDR lamenta que a Universidade de Coimbra, uma instituição que se tem notabilizado, nas últimas décadas, pela lucidez e clarividência dos seus dirigentes, esteja agora a trilhar as vias da demagogia de circunstância, do oportunismo mediático e do fashion populismo.

A UC sempre favoreceu visões plurais e abertas ao diferente e não proibições nem modelos de atuação que impõe a unicidade cognitiva ou de pensamento.

Ignoramos se o reitor da UC tem poderes para sozinho determinar o que os estudantes dessa Universidade podem ou não comer nas respetivas cantinas. 

Se a resposta for afirmativa, diremos que muito mal vai a Universidade de Coimbra, pois estará a recordar-nos alguns dos períodos mais negros da sua história; e se for negativa, então, esperamos que vozes mais lúcidas e espíritos mais abertos do que os do atual reitor se façam também ouvir.

O PDR manifesta, por último, a sua solidariedade com os agricultores portugueses e apela a que não reajam dentro do mesmo paradigma de fanatismo e de irracionalidade.

Assim como uma andorinha não faz a primavera um reitor não faz uma universidade.

 

Coimbra, 20 de setembro de 2019

 

Partido Democrático Republicano